Antecipar a restituição do Imposto de Renda – Vale a pena?


A perspectiva de receber logo a restituição do Imposto de Renda tem atraído milhares de correntistas a solicitar a chamada antecipação, levando os bancos a investir nessa modalidade de crédito direto ao consumidor. O Banco do Brasil, por exemplo, realizou, durante o mês de março do ano de 2009, 111.251 operações num total de 197,4 milhões de reais. O volume equivale a 56% do valor desembolsado em todo o ano de 2008 e  aponta um crescimento de 53% quando comparado ao mesmo período daquele ano. No entanto, como em todo empréstimo, é importante que o consumidor tenha em mente os encargos ao solicitar a antecipação.

Para o consultor e professor de finanças do Ibmec/RJ, Gilberto Braga, a grande vantagem da antecipação se aplica aqueles que têm dívidas a pagar. “As taxas de juros medianas cobradas no mercado são mais altas do que a taxa que os bancos cobram para antecipar a devolução do IR”, estima. O custo das dívidas é, inclusive, na quase maioria absoluta das vezes, superior à rentabilidade das aplicações de baixo risco.

Gilberto Braga lembra, no entanto, que é possível conseguir uma redução bastante significativa na taxa de juros utilizada se o contribuinte for empregado com carteira assinada.

– Nesse caso é possível transformar a operação de antecipação em empréstimo consignado.

O maior risco nos pedidos de antecipação de IR é o da restituição ficar retida na malha fina. O professor do Ibmec/RJ explica que ao se esgotar o prazo regular para a devolução do último lote, em 15 de dezembro, os bancos procuram negociar com os clientes novas propostas de crédito.

– Normalmente os bancos convocam os clientes para transformar a operação em um empréstimo convencional, com taxas de juros mais altas, sendo possível fazer a quitação parcial ou total da dívida.

A professora Bianca Xavier, da Fundação Getúlio Vargas, explica que, nesses casos, de nada adianta solicitar a restituição à Receita Federal, uma vez que a antecipação é um contrato particular entre o contribuinte e o banco. O melhor é tomar os devidos cuidados para evitar cair na malha fina.

Aos consumidores que pretendem pedir a antecipação para a aquisição de um automóvel, o professor do Ibmec/RJ, Gilberto Braga, recomenda que pesquisem e comparem as taxas de financiamento das revendedoras com a taxa dos bancos para ver se vale a pena. “Com a crise, muitas montadoras estão promovendo, sob certas condições, vendas especiais com juros mais baixos, do que a média que antes era praticada no mercado de automóveis”, destaca. Além disso, lembra ele, a devolução do Imposto de Renda é automaticamente corrigida pela Selic: “a correção equivale à remuneração de uma renda fixa sem risco, pois é garantida pelo governo, e o ganho é superior ao da caderneta de poupança”. Esperar o Leão devolver a restituição, nesses casos, pode ser uma boa idéia.

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