Lavar os alimentos retira os resíduos de agrotóxicos?


Uma dieta balanceada pressupõe o consumo de frutas, legume e verduras, mas um jovem vilão vem assombrando esses alimentos e transformando essa dieta em pouco saudável: os resíduos dos agrotóxicos.

Para monitora os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que chegam à nossa mesa e adotar medidas de controle, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa  coordena o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos. Em conjunto com os órgãos de vigilância sanitária de 25 estados e o Distrito Federal, eles realizam coletas de 17 tipos de alimentos – entre frutas, legumes e verduras – nos supermercados para análise nos laboratórios, desde 2001.

A o resultado análise – 2001 a 2008 – mostrou que produtos que freqüentam cotidianamente nosso cardápio apresentaram resultados insatisfatórios, ou seja, tinham amostras com ingredientes ativos de agrotóxicos acima do limite máximo de resíduos permitidos ou resíduos não autorizados para uma determinada cultura.

Diante desse cenário, fica a pergunta: Lavar retira os agrotóxicos dos alimentos? De acordo com a nota técnica da Anvisa, a resposta é:  Não Completamente. O processo de lavagem dos alimentos contribui para a retirada de parte dos agrotóxicos.

Isso se explica porque em alguns casos os agrotóxicos são absorvidos pela planta, penetrando em seu interior através de suas porosidades. Uma lavagem dos alimentos em água corrente só poderia remover parte dos resíduos de agrotóxicos presentes na superfície dos mesmos.

Quando os agrotóxicos são absorvidos por tecidos internos da planta, caso ainda não tenham sido degradados pelo próprio metabolismo do vegetal, permanecerão nos alimentos mesmo que esses sejam lavados. Neste caso, uma vez contaminados com resíduos de agrotóxicos, estes alimentos levarão o consumidor a ingerir resíduos de agrotóxicos.

De acordo com os conhecimentos científicos atuais, se ingerirmos quantidades dentro dos valores diários aceitáveis (IDA) não sofreremos nenhum dano à saúde. Existem estudos que indicam que, se ultrapassarmos essas quantidades, as conseqüências poderão variar desde sintomas como dores de cabeça, alergia e coceiras até distúrbios do sistema nervoso central ou câncer, nos casos mais graves de exposição, como é o caso dos trabalhadores rurais.

Em geral, esses sintomas são pouco específicos, não sendo possível determinar a causa numa avaliação clínica. Tudo isso vai variar de acordo com diversos fatores, tais como: o tipo de agrotóxico que ingerimos, o nível de exposição a estas e outras substâncias químicas, a idade, o peso corpóreo, tabagismo, etc.

Para o registro de agrotóxicos no país, é exigida pelas autoridades regulatórias uma série de estudos com o objetivo de definir o grau de relevância toxicológica do agrotóxico em relação ao uso, aos limites de resíduos e ao consumo diário. O Limite Máximo de Resíduo (LMR) permitido é expresso em mg/kg da cultura e a quantidade diária segura para o consumo (Ingestão Diária Aceitável-IDA) é expressa em mg/kg de peso corpóreo.

De acordo com a Anvisa, para diminuir a ingestão de agrotóxicos o consumidor pode optar por alimentos certificados como, por exemplo, os orgânicos, e por alimentos da época, que a princípio necessitam de uma carga menor de agrotóxicos para serem produzidos.  A orientação é procurar fornecimento de produtos com a origem identificada, pois isto aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com a adoção das boas práticas agrícolas.

De acordo com a Gastrônoma e Professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Sandra Borçoi, um caminho cada vez mais freqüente no mundo da Gastronomia é o “Slow Food” que é um movimento que incentiva o consumo de produtos orgânicos e a valorização das pequenas produções, dos produtos locais, para levar, novamente à mesa de todos, produtos de qualidade que não causem danos a saúde.

A Agência alerta que realizar os procedimentos de lavagem com soluções de hipoclorito de sódio (água sanitária ou solução de Milton) que devem ser usadas para a higienização dos alimentos na proporção de uma colher de sopa para um litro de água tem como objetivo apenas de matar agentes microbiológicos que possam estar presentes nos alimentos.

5 comments

  1. Mediante o exposto vejo que a responsabilidade recai sobre o consumidor. Cabe a ele higienizar os alimentos para consumir
    menos agrotóxico o que afinal é uma medida paleativa. Isto é
    uma vergonha. Deveriam interferir no plantio, impedindo o uso
    indiscriminado destes pesticidas tão nocivos a saúde.
    Tudo que nós consumidores fizermos não será tão eficiente
    quanto a interferencia na lavoura. O agricultor protege seus
    ganhos, seus lucros expondo a saúde os consumidores e
    vem a Anvisa nos ensinar higienizar os alimentos com hipo
    clorito de sódio. Isto é um despropósito. Sejam mais eficien
    tes, conscientes, responsáveis proibindo o uso indiscrimina
    do dos agrotóxicos.

  2. Tem toda razão a Consumidora ao estar revoltada, na medida que cabe aos Orgãos Públicos a fiscalização da Aplicação de Agrotóxicos na Lavoura. Nós Consumidores precisamos discutir publicamente o assunto; Imagino um Sistema de Venda de Legumes e Hortaliças com Rastreabilidade, ou seja o produtor estará identificado em todas as Fases da Comercialização,algo parecido com as exigencias que temos que cumprir para vender nossos produtos para a Europa e EUA.

  3. Ana lúcia e Ricardo, em parte tem toda a razão, mas veja o lado dos agricultores. Os “bichinhos” acabam com os produtos se não aplicarem os produtos para exterminar com todos os tipos de pestes que há na natureza … e os consumidores, como eu, só escolhemos o que há de melhor e mais bonitos. Como por exemplo, o tomate: desde que começa a nascer a florzinha já começa a receber agrotóxico e então quanto mais bonito o tomate, mais agrotóxico contém… e a gente não escolhe sp os mais bonitos?

  4. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo pela terceira vez consecutiva.
    Estamos ingerindo em torno de 5 kg per capita/ano de veneno. Não é a toa que os índices de mortes devido ao câncer tem aumentado muito nos último anos e com certeza motivado por ingestão de veneno.
    Até as feirinhas ditas orgânicas e ou agroecológicas tem muito produto de origem vegetal usando veneno.
    Até quando os consumidores vão ficar reféns destas empresas que vendem e comercializam estes produtos no país?

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