Fusão entre supermercados pode prejudicar consumidores e fornecedores


Para Idec, concentração do setor, que pode chegar a 60% em algumas regiões, não traz garantias de que preços mais baixos chegarão ao consumidor final

A possível fusão entre os grupos varejistas Pão de Açúcar e Carrefour representa um sinal de alerta para consumidores e fornecedores. A concentração de mais de 30% das atividades de distribuição de alimentos no varejo no País – e mais de 60% em determinadas regiões, como no Estado de São Paulo – pode ser uma ameaça devido à consequente diminuição da concorrência no setor, resultando em menos opções para o consumidor.

A nova rede poderia, em tese, diminuir o preço das mercadorias devido ao grande poder de negociação com os fornecedores. Mas essa é apenas uma das possibilidades.”Quando alguém detém tamanho poder, não há garantias de que o ganho que esse ator poderia obter, comprando mercadorias a preços mais baixos, seria repassado ao consumidor final. Isso porque, nessa ponta, também, haverá menos opções”, explica o gerente de comunicação do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira.

A fusão resultará na redução de opções para o consumidor e diminuição da concorrência, o que pode afetar, inclusive, a qualidade do atendimento nas lojas. Regiões que não contam com muitas opções de lojas de varejo podem ficar ainda mais deficientes. “Um determinado bairro em que o consumidor tinha duas ou três opções de supermercados, passará a ter menos. A não ser que sejam tomadas medidas preventivas, sem concorrência, pode haver relaxamento na qualidade dos serviços.”, acredita Oliveira.

Essa tendência já pode ser observada em regiões onde há pouca ou simplesmente não existe concorrência. Para o gerente do Idec, a concentração pode aproximar o setor de um cenário de oligopólio, o que não é positivo. “Em mercados oligopolizados, sabemos que a concorrência não se dá essencialmente no nível dos preços e a eficiência não é sua característica principal”, acrescenta.

Na outra ponta
Os fornecedores também tendem a sair prejudicados, lidando com uma restrição maior do que os próprios consumidores. O motivo seriam as poucas opções para escoar a produção e, dessa forma, diante de pressões por preços menores feitas pelo novo gigante do varejo, recorram a alguns expedientes para não perder tanto, como reduzir a qualidade de produção.

“É importante lembrar isso: preços baixos ao consumidor em condições de baixa concorrência nunca foram indícios de boas práticas. Mas podem ser resultado de condições de trabalho ruins na indústria, de processos produtivos deficientes, de infrações a leis ambientais e até mesmo de uso de matéria-prima inferior”, finaliza.

Fonte: Idec

2 comments

  1. é um absurdo autorizar esta fusao .imagine se todas as redes de supermercados ,estivesem em poder de um unico dono ,teria concorrencia?

  2. Agora é tarde,depois que fizeram cartel dos supermercados,tudo que se fizer de agora em diante,é pura demagogia,antes da fusão do real,e mercadorama,existia sim, concorrência,e ainda querem dizer que os Portugueses são burros,pelo menos nas piadas…agora, eles foram os pioneiros entres os cartéis do combustíveis,dos remédios etc etc,eles mostraram como é que se ganha dinheiro as custas do sofrimento do povo.

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