Você Confia nos Medicamentos Genéricos?


Os genéricos circulam nas farmácias brasileiras há 12 anos e ainda geram dúvidas em relação a sua eficácia, principalmente,  para a classe médica.

De acordo com diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, os medicamentos genéricos passam por rigorosos testes de qualidade antes de terem seu registro e comercialização autorizados, por isso, têm exatamente a mesma  qualidade que o medicamento de referência e vão produzir no organismo os mesmos efeitos.

Barbano afirma que estudos feitos pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa demonstram que tanto a população, quanto a classe médica ainda não se sentem  totalmente seguros em relação ao uso desses medicamentos. De acordo com essas pesquisas,  cerca de 15 %  dos pacientes não confiam nos genéricos. Em relação aos médicos, aproximadamente 40% têm algum tipo de  insegurança em relação aos genéricos e quase 20% afirmam que nunca prescreveriam esses medicamentos.  Na opinião do presidente da Agência, essa atitude reflete a falta de conhecimento da população de uma maneira geral sobre os genérios que são 100% seguros e que passam por rigorosos processos de fiscalização.

O medicamento genérico é mais barato que o medicamento de marca e, por lei, deve ser no mínimo 35% mais em conta que o remédio de referência. Dessa forma, a entrada do genérico gerou um grande movimento em relação à redução de preço que, em média, acabam ficando cerca de 50% mais barato. Assim, o consumidor, muitas vezes, pode comprar o mesmo medicamento até  por menos da metade do preço que custa o remédio de marca.  Entretanto, se esse cenário tem impacto positivo para o orçamento das famílias brasileiras, para as indústrias que produzem os medicamentos de marca essa mudança não é tão bem vista.

Dirceu ressalta que a Avisa tem estudos que evidenciam como o marketing feito pela indústria farmacêutica interfere na conduta e na obtenção de informação por parte dos médicos. “Muitos médicos declaram nessas pesquisas que a maior fonte de informações que eles têm sobre os remédios  que  prescrevem são os propagandistas e é sabido que essas indústrias que lançam o medicamento de referência investem muito mais em marketing do que a própria indústria  de genérico”, declara Dirceu.

Dessa forma, o presidente da Anvisa atribui essa insegurança por parte dos médicos em relação aos genéricos a esse movimento do mercado farmacêutico. Nesse contexto,  o médico acaba conhecendo mais o medicamento de marca e acaba criando uma confiança em relação a marca, explica Dirceu. Entretanto, o fato do médico não prescrever o genérico não impede que o paciente faça uso desse, pois é possível trocar na farmácia o remédio de marca pelo genérico. A não prescrição no receituário por parte do profissional também  não significa que  o médico não queira que se faça uso dele, pois quando ele não quer, ele pode indicar na receita ou para o paciente, mas isso não é o mais comum, afirma o Presidente da Agência.

Barbardo entende que é preciso ações por parte da Anvisa para mudar esse comportamento, oferecendo mais  tranqüilidade e segurança para o profissional prescrever esse remédio e para  que a população possa usá-lo sem restrições.

O genérico hoje corresponde a 25% no mercado nacional. Esse mercado nos EUA chega perto de 45 %, onde as industrias farmacêuticas são muito poderosas. “Isso demonstra o quanto há espaço para crescimento do setor no Brasil”, afirma Dirceu. Ele lembra que esse comportamento demonstrado nas pesquisa em relação às dúvidas sobre os genéricos reflete também o tempo de convivência com esses medicamentos, pois nos EUA eles já estão disponíveis para os consumidores há pelo menos 40 anos, tempo suficiente para dirimir quaisquer dúvidas em relação a qualidade e a eficácia. Os genéricos são novos no Brasil e cada vez mais os brasileiros vão se acostumando, obtendo mais informações, e ,conseqüentemente, adquirindo segurança para usá-lo sem restrição.

Para o consumidor que ainda tem dúvida a Anvisa garante: “Os genéricos têm a mesma qualidade e eficácia do medicamento de marca.”

Por Bianca Reis

Fonte: Entrevista com o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano,  concedida ao programa Brasil em Pauta.

22 comments

  1. Faço uso constante há mais de dez anos de alguns medicamentos para controlar uma cardiopatia resultante de um IAM isquêmico.

    A diferença que encontrei entre os genéricos e os de marca foi tão grande quanto a que existe entre os de referência.

    O poder do mercado tem a ver com a exploração das vulnerabilidades humanas em troca de felicidade, e atualmente não difere em nada do da política e da religião.

    • É, Armando, gosto de acreditar nas pessoas, nos orgãos, etc…até que me provem o contrário, apesar de tantas notícias de falcatruas, de falta de caráter, má índole, ambição desenfreada, etc… que ocorrem neste nosso lindo país, com certas pessoas não tão lindas, isso de fato mina a credibilidade, mas ainda existem pessoas confiáveis sim. Enfim, faço uso do genérico.
      A frase com a qual você concluiu seu comentário é de sua autoria? Se não for pode me dizer de quem é? Obrigada.

  2. Concordo plenamente. Uso-os há anos.
    Me dou bem c/ ele. A maioria é inclusive para tratamente de problemas cardíacos.
    Existem algumas diferenças de mais de 50% em alguns remédios.
    Gostei de sua última frase.
    O poder do mercado tem a ver com a exploração das vulnerabilidades humanas em troca de felicidade, e atualmente não difere em nada do da política e da religião. Excelente!

  3. O genérico não é a mesma coisa e eu não confio. Embora ele tenha a mesma quantidade de principio ativo, seja por falta de ancapsulamento adequado, seja por falta de granulação adequada, a absorção desse remédio fica prejudicada.

    • trabalho com medicamento a anos, já participei diretamente do processo de fabricação tanto do genérico quanto do medicamento de marca., se aguem tem duvidas da qualidade do medicamento, e fácil de resolver: pega uma amostra do medicamento, fazemos o teste de bio-equivalência. se tiver razão, e só processar o laboratório, a indenização e altíssima! mas porque será que ninguem processa? porque o medicamento genérico equivale SIM ao de marca. falar que não funciona e fácil, mas bio-equivalência se faz com dados, e não com palavras.

  4. Eu sempre dou crédito a produtos que tenham a marca do S.I.F, do IMetro, da AViSa, e outros selos de agências. Especificamente quanto a medicamentos genéricos eu já usei e nunca tive qualquer reclamação.

  5. A Dúvida não é quanto a eficiência do genérico e sim do loby corruptor da industria farmacêutica com “seus deputados e senadores” corruptos.

  6. ja utilizei medicamento generico para controle da hipertensao (atenolol) e os resultados foram ruins , nunca mais…..nao vale a pena ….

  7. Eu acreditava no efeito dos medicamentos genéricos, até passar por uma situação recente com minha filha, Ela apresentava uma grave amigdalite e tomou antibiótico genérico, sem apresentar melhora após 4 dias de uso e tendo tomado, antes do início do tratamento via oral, uma injeção de Benzetacil na unidade de pronto socorro de um hospital de convênio em minha cidade. Posso garantir que a melhora só aconteceu após a troca pelo original. Vários médicos, depois disso, disseram que não devo comprar antibiótico genérico. Com sáude debilitada, após ter perdido peso pois não se alimentava, minha filha levou mais de 3 semanas para melhorar. De quem é a responsabilidade???
    Marcia Souza

  8. “A Anvisa garante o genérico” vcs acreditam???? Da mesma forma que ela garantiu as próteses mamarias que vieram da França!!!, em se tratando de órgãos governamentais cuidado com 52 anos de idade não conheço nenhum sério no Brasil

  9. Tenho gota, durante a crise demora 2 horas para a dor atenuar usando o antiinflamatório original, e aproximadamente 6 horas com genérico.

  10. Ola, minha duvida. Sera que o lab. que pesquisou durante anos o remedio, passara de mao beijada a formula na integra.

  11. jdmuniz-
    Para quem já trabalhou em farmacias, sente como é díficil acreditar na qualidade dos produtos genéricos.

  12. Não uso nem HD genérico, quanto mais remédios. O grande problema, é a nossa fiscalização tupiniquim.

    • trabalho com medicamento a anos, já acompanhei procedimentos de genéricos, e referencia(original). se aguem tiver certeza q o genérico não equivale a o de marca, e fácil de resolver: basta guardar a embalagem, e uma amostra do medicamento, procure um bom adevogado, e processe o laboratório! A indenização e altíssima, mas porque será que ninguem processou ate hoje?
      porque a realidade e: generico equivale SIM ao medicamento de marca! se não fosse equivalente, aguem já teria processado!
      os testes são bem complexos, e precisos! Indicam qualquer irregularidade lei:9.787/99
      falar que não funciona e facil, mas bioequivalencia não se faz com palavras, e sim com dados!.

  13. Respeito a opinião de cada um e só peço para tomarem com cuidado.
    O Genérico é aprovado após testes de bioequivalência certo?. E depois? Há testes periódicos para saber se estão cumprindo a norma? Não né!!!
    Com a safadeza em todos os setores que anda esse país, (não estou dizendo só de uns 12 anos anos para cá) não acredito nesse medicamento para casos mais sérios, tomo o medicamento para uma gripe, uma dorzinha, mas não se tiver um caso mais grave como infecção por exemplo.
    Já cheguei a usar os dois tipos em casos iguais, e épocas diferentes e senti a diferença de recuperação, casualidade? Estava menos doente?
    Por que Hospitais de ponta não usam? Por que da diferença tão grande de preço? Só por causa do nome e das cores a mais na caixinha, ahhh façam-me o favor né!!! Sei muito bem que embalagem encarece, mas não em 50, 60, 70, 80, 90, as vezes até ultrapassa 100% em algumas medicações.

    • caro Roberto, respondendo a sua primeira pergunta; existem sim testes periódicos no medicamento genérico, a cada 72h mais precisamente falando. enquanto a diferença de preço, e devido as pesquisas, o medicamento de marca precisa de anos de pesquisa para entrar no mercado, tanto que tem direito a 20 anos de patente para recuperar o investimento. enquanto o genérico tem apenas a obrigação de fazer uma copia idêntica. hospitais de ponta como: Sirio libanês, e São Bernardo fazem uso constante de Genéricos, devido ambos serem de padrão internacional, sabem da sua eficácia. em países como: Estados Unidos, França, Japão, Inglaterra… por exemplo, os medicamentos genéricos representam mais de 20% do que no Brasil, quanto maior o grau de instrução da população, mais genéricos se consome. esses paises que citei crescem em um ritmo muito maior que o nosso, pois instrui sua população com mais precisão em assuntos necessários. não sou ligado a nenhuma empresa do ramo de genéricos hoje, mas conheço detalhadamente, tanto genérico quanto referência, des de a matéria prima, ate chegar nas farmácias. Queria muito que o Brasil chegasse ao menos próximo dos países desenvolvidos nesses assuntos.

  14. Van meu marido estáva com infecção na protese e esta foi retirada faz 30 dias e o médico só quer que ele tome antibiótico de marca por 90 dias o mesmo custa 150% mais caro que o generico,uma caixa com 14 comp. para 7 dias custa R$ 230,00- e o generico mais ou menos R$ 35,00. O que fazer ele já tomou
    4 caixas e não podemos mais comprar o de marca,fui procurar o genérico da Medley e não estão fabricando mais a Medley pediu par a Anvisa um prazo e descontinuou o medicamento.
    O que fazer comprar da Sandoz ,EMS ou qual?

    • Prezada Teresa,

      Sugiro que você procure apoio jurídico para entrar com processo solicitando que o Sistema Único de Saúde forneça esse medicamento para você, sem qualquer custo. O andamento para esse tipo de processo é mais rápido. Sendo assim, sugiro que procure apoio jurídico. Você pode buscar atendimento gratuito no Procon mais próximo de sua residência ou procure o Juizado Especial Cível de seu estado. Na primeira página do Portal pode ser encontrada uma lista de Procons de todo o País. http://www.portaldoconsumidor.gov.br/procon.asp
      Abçs
      Bianca Reis

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