Anvisa constata alto teor de sódio em alimentos e faz campanha para alertar a sociedade


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) firmou acordo com associações de supermercados de alguns estados para alertar a sociedade sobre o consumo de sódio. Um estudo realizado pela Agência mostrou que um lanchinho rápido, como um pacotinho de 100g de biscoito polvilho, tem, em média, mais da metade de toda a quantidade de sódio que uma pessoa deve consumir durante todo o dia. A Agência Avaliou 500 amostras de 26 categorias de alimentos.

Nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Pará e Espírito Santo os clientes de supermercados serão alertados sobre os riscos do consumo excessivo de sal para a saúde por meio de folderes, banners, cartazes e spots para rádios. Esse movimento é resultado do acordo de cooperação da Agência com as associações de supermercados desses estados para o lançamento de uma campanha de conscientização em relação à redução do uso desse nutriente.  Esse trabalho reforça as estratégias para a redução do consumo de sódio pela população brasileira e se alia ao compromisso assinado entre o Ministério da Saúde e as indústrias de alimentação para a redução gradual da quantidade de sódio nos alimentos processados.

Estimativas demonstram que a população brasileira consome em média 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de até 5 gramas diárias.

Cabe esclarecer que sal não é  sinônimo de sódio, cerca de 40% da composição do sal é sódio. Mas, segundo pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, publicada em março de 2009, na “Revista de Saúde Pública”, o consumo de sódio pela população brasileira está duas vezes e meia acima do limite preconizado pela OMS. Os pesquisadores apontam que a quantidade diária de sódio disponível para consumo é de 4,5 g ou 4. 500mg, por pessoa, sendo que a ingestão máxima recomendada pela OMS é de 2 g ou 2.000 mg.

O sódio é considerado um nutriente de preocupação de saúde pública que está diretamente relacionado ao desenvolvimento das Doenças Crônicas não Transmissíveis: hipertensão, doenças cardiovasculares e doenças renais. Assim, segundo especialistas,  conter o consumo de sal garante uma proteção 25% maior ao peito. O alto teor de sódio na circulação dificulta  a passagem do sangue, sobrecarregando do músculo cardíaco.

A principal fonte de sódio é proveniente dos alimentos industrializados, do tempero adicionado à comida, que inclui o sal de cozinha propriamente dito, e condimentos feitos à base de sal. Esses itens correspondem a 76% de todo o sódio consumido. O grande problema é que as pessoas que não têm  o hábito de ler os rótulos dos alimentos, muitas vezes, nem desconfiam da quantidade absurda de sódio que está consumindo em um lanchinho “inocente”.

Com o objetivo de alertar a população, a Anvisa analisou a quantidade de sal em quase 500 amostras de 26 categorias de alimentos, coletados pelas vigilâncias sanitárias estaduais, nos anos de 2010 e 2011, no mercado varejista. Nos seguintes estados: Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

As análises de monitoramento de sódio foram realizadas pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS). Já as análises fiscais pelos Laboratórios de Saúde Pública dos Estados do Ceará e de Minas Gerais e pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) em São Paulo.

O resultado chama a atenção. Um pacote de biscoito de polvilho de 100 gramas  possui, em média, mais da metade de toda a quantidade de sódio que uma pessoa deve consumir durante todo o dia (1.092 mg), aponta o estudo. O macarrão instantâneo (com o tempero pronto que acompanha esses alimentos) tem, em média, quase o total de teor de sódio que deve ser consumido diariamente, conforme orientação da OMS.

Entretanto, esse estudo mostrou que há uma variação na quantidade de sódio entre as diversas marcas do mesmo produto,  o que reforça a necessidade dos consumidores observarem os rótulos e, principalmente, a tabela nutricional dos alimentos industrializados de diferentes marcas para fazer escolhas mais saudáveis .

Confira a diferença do teor de sódio entre os alimentos analisados em mg/100g

Alimentos Média Maior valor Menor valor Diferença
queijo parmesão ralado 1981 2976 1100 2,7
macarrão instantâneo 1798 2160 1435 1.5
queijo parmesão 1402 3052 223 13,7
mortadela 1303 1480 1063 1,4
mortadela de frango 1232 1520 943 1,6
maionese 1096 1504 683 2.2
biscoito de polvilho 1092 1398 427 3,3
bebida láctea 92,7 114,7 73 1.6
salgadinho de Milho 779 1395 395 3,5
biscoito água e sal 741 1272 572 2.2
biscoito cream cracker 735 1130 437 2.6
hamburguer bovino 701 1120 134 8,4
batata frita ondulada 624 832 447 1,9
pão de queijo congelado 582 782 367 2,1
queijo muçarela 577 1068 309 3.5
queijo prato 571 986 326 3.0
pão de queijo 558 830 105 7,9
queijo minas padrão 546 673 290 2,3
queijo minas frescal 505 1819 126 14,4
batata palha 472 719 250 2,9
biscoito de amido de milho 369 477 240 2.0
biscoito recheado 288 650 130 5.0
ricota fresca 191 432 41 10.5
farinha láctea 106 170 20 8,5
queijo petit suisse 45 62 38 1,6
refrigerante de guaraná de baixa caloria 12 17 7 2,4

 Confira aqui a íntegra do estudo da Anvisa..

2 comments

  1. Para efeitos de comparação, a tabela deve conter uma coluna com os valores aceitos e/ou recomendados pela OMS.

  2. concordo com o Luiz, mas a ANVISA deveria tb citar o nome das marcas. Mesmo que tenham sido escolhidas ao acaso, ou será que são as mais vendidas no mercado?O que importa é termos acesso a estas marcas, isto sim faria com que elas procurassem reduzir o teor de sódio, mas o anonimato….. rsrsrsrs

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