Inmetro analisou 13 marcas dos principais sistemas de descargas utilizados no Brasil


Os sistemas de descarga utilizados no Brasil são um dos que consomem menos água em todo o mundo. Seguindo as diretrizes de políticas governamentais, as normas técnicas desenvolvidas nos últimos 10 anos especificaram a necessidade dos sistemas de descarga utilizarem volumes de água em torno de 6 litros.

 O Instituto avaliou três tipos diferentes de sistema de descargas mais adotados no Brasil e encontrou não conformidades em algumas marcas de caixas de descarga não acopladas e de bacias sanitárias com caixa acoplada. O consumidor deve ficar atento, pois para obter um bom desempenho do produto, além de verificar se o produto atende a norma técnica, é preciso tomar alguns cuidados na escolha, na instalação, na regulagem e no uso da descarga.

 Escolha do produto

Para o bom funcionamento do sistema de descarga e para economizar água, é imprescindível que o produto atenda aos requisitos da norma brasileira. Além disso, é importante verificar os dados do sistema hidráulico onde o produto será instalado, como, por exemplo, casa térrea com pouca pressão ou casa com sistema de pressurização. Esses dados são importantes para que o produto seja corretamente regulado, seguindo as instruções do fabricante, que acompanham o produto.

 A análise nos sistemas de descarga realizada pelo Instituto deixa claro que as características vinculadas ao desempenho desses produtos possuem mecanismos complexos e que podem ser influenciados por outros fatores como, por exemplo, a instalação predial. Nesse caso ilustrativo, a quantidade de curvas na tubulação ou declives no sistema de esgoto pode alterar o desempenho do sistema de descarga. Assim, faz-se necessário consultar um especialista para identificar qual o mecanismo mais adequado para seu imóvel, em função das características da construção, além de uma instalação correta para que o desempenho seja satisfatório.

 Vale lembrar que existem modelos que oferecem duplo acionamento de acordo com a opção de uso: três litros para resíduos líquidos e seis litros para resíduos sólidos. Essa opção, além de sustentável, é mais econômica e pode ser encontrada nas caixas acopladas e nas válvulas de descarga.

 Cuidados na Instalação

 Como a pressão de água no sistema hidráulico varia muito de uma edificação para outra, é imprescindível que o consumidor, ao instalar o sistema de descarga, faça a regulagem do mecanismo de descarga de acordo com as condições do local onde o produto está instalado. A instrução de como fazer essa regulagem está no manual que acompanha o produto.

 Dicas para um bom desempenho dos sistemas de descarga.

Um sistema de descarga pouco funcional pode causar muita dor de cabeça para os usuários dos banheiros residências ou comerciais como: desperdício de água causado por pequenos vazamentos, infiltrações, entupimentos no vaso sanitário e no sistema de esgoto, mau cheiro, entre outros problemas.

 Falhas no sistema de descarga são as causas mais comuns de vazamentos e desperdício de água. De acordo com a Sabesp um vazamento com filete visível pode gerar o desperdício de 144 litros por dia, quantidade que daria para abastecer uma pessoa no mesmo período de tempo. Então, se você tem um vazamento visível na sua casa o ideal é correr para saná-lo o quanto antes. Seu bolso e o meio ambiente irão agradecer.

Uma válvula de descarga quando acionada, por seis segundos, consome de 6 a 10 litros de água. Assim, o ideal é apertar a descarga apenas o tempo necessário e evitar pressionar a válvula sem necessidade.

Para verificar se há vazamentona válvula ou na caixa, jogue pó de café no vaso sanitário e observe. Se ele derreter ou desaparecer é sinal de que há vazamento na válvula ou caixa de descarga.

 Os sistemas de descargas mais adotados no Brasil são:

sistemadedescarga

Esses três tipos distintos de mecanismos de descarga têm uma instalação e um funcionamento diferente, porém todos os três possuem a mesma função: fornecer água com volume e energia adequados para a remoção e o transporte dos dejetos das bacias para os ramais de esgoto, bem como para a reposição do fecho hídrico, que evita o retorno de odores ao ambiente. Em resumo, em relação à remoção, é necessário que a quantidade de água acionada leve os dejetos até a rede de esgoto, sem, contudo, tornar o consumo de água oneroso. Já no que diz respeito ao fecho hídrico, é preciso repor a quantidade de água limpa no fundo da bacia, que impede o retorno dos gases da tubulação de esgoto e trazem mau cheiro e germes.

 Resumo dos ensaios realizados e descrição dos resultados. 

Válvulas:

Foram realizados ensaios para verificar se o produto apresenta algum vazamento durante sua utilização, avaliar se o fluxo de água é suficiente para promover a remoção de dejetos da bacia sanitária e do ramal de esgoto e se isso acontece no período de tempo entre 1 e 5 segundos. Foram analisadas as marcas Docol, Fabrimar, Hydra e Lorenzetti. Nesse teste todas as marcas foram aprovadas.

Sistemas de caixa não acoplada:

A análise verificou dois aspectos: marcação e desempenho do mecanismo. Marcação são informações sobre o nível operacional (alta ou baixa pressão), a identificação do fabricante e a energia do sistema de descarga (baixa energia [sigla: 6 Lpf – L]; alta energia [sigla: 6 Lpf] e universal [sigla: 6 Lpf – HL]) que devem estar expressas em região visível para o consumidor na embalagem. A ausência da marcação pode dificultar a regulagem e a instalação do produto.

Foram analisadas as marcas Astra, Duda, Esaf e Tigre. O resultado desse teste mostrou que as marcas Duda e Esaf não apresentaram a marcação referente à Energia do sistema de descarga de forma permanente no produto.

Na análise de desempenho do produto, foram verificados o volume da água descarregado pela caixa de descarga não acoplada nas condições de alta e baixa pressão, o volume de água descarregado pelo repositor para garantir a reposição do fecho hídrico da bacia sanitária e se a vazão da água que chega á bacia sanitária é adequada para promover a remoção dos dejetos da bacia sanitária e do ramal de esgoto. Das quatro marcas analisadas, duas, Duda e Esaf, apresentaram não conformidade no volume de reposição do fecho hídrico por não possuírem um sistema de reposição feito por mangueirinha, acessório obrigatório que evita o retorno de odores do esgoto ao ambiente e diminui o contato do usuário com germes e bactérias. A marca Esaf também apresentou não conformidade no ensaio que verificava o volume da água descarregado pela caixa, o que acarreta gastos desnecessários de água.

 Bacias Sanitárias com Caixa de Descarga Acoplada

A análise também verificou marcação e desempenho do mecanismo. Entretanto, em função das devidas diferenças entre os produtos, além dos itens mencionados no teste acima as bacias sanitárias com caixa de descarga acoplada deveriam conter informações sobre instrução para operação e data de fabricação. Foram analisadas as marcas: Deca, Hervy, Icasa, Luzarte e Roca.  A análise da marcação revelou que das cinco marcas, apenas a Luzarte apresentou uma não conformidade por não possuir manual de instruções para operação na embalagem, com o produto.

Em relação ao desempenho, foram verificados o volume de água consumido na descarga total, o volume de reposição do fecho hídrico, a capacidade de remoção de dejetos sólidos de uma bacia sanitária e a capacidade de o transporte dos dejetos sólidos ao longo do ramal de esgoto.  Os resultados dos ensaios de desempenho para as bacias sanitárias com caixa acoplada apontaram não conformidades para três das cinco marcas analisadas: Icasa e Luzarte, no volume consumido por descarga, e Hervy, no transporte de sólidos. Cabe destacar, que o problema do excessivo consumo no volume de água das descargas Icasa e Luzarte pode ser corrigido, desde que o consumidor ajuste o nível da boia interna das caixas, tornando o produto adequado ao padrão de uso.

Resultado geral das análises:

descarga2015

13 comments

  1. Não sei como foram estes testes das caixas de descarga da Astra, Tigre, etc. Não duram nada e sempre fica vazando água direto. E os furos para encaixar na parede com buchas, o plástico arrebenta em poucos meses. É tão fino e racha tudo.

  2. Cade os testes do sistema de boia, e esgotamento das caixas acopladas, q dão defeito, isto é vazamento com 2 meses de uso, a substituição é constante destes componentes, tanto q há muita dificuldade p/ comprar o kit de reparos, q o fabricante safado Astra, não vence, linda a engenharia reversa, foi projetado p/ dar defeito com pouco uso, e provoca grande gasto de água, a cada 2 meses, até o defeito ser detectado. Só percebi, quando a caixa de 500 litros secou, numa única noite.

  3. eu estou tendo sérios problemas com a marca CENSI…a cada instante e do nada, simplesmente a válvula deixa de funcionar causando enormes vazamentos de água…durante um período de menos de 12 meses fiz tive que fazer a troca 3 vezes….na terceira vez, o comerciante não cobrou a peça alegando que o fabricante já estava ciente dos problemas e estava trocando…entretanto, esta terceira peça novamente estourou e não consigo achar outra marca minha cidade senão a ta CENSI…custos? já tive que chamar o encanador 3 vezes às minhas expensas, comprar duas válvulas novas….sem contar a sujeira para troca, a aporrinhação de idas e vindas e espera de encanador e litros e litros de água desperdiçada…sugiro que não se compre esta marca: CENSI.

  4. E quanto a marca Cipla, é boa, recomendável, funciona bem? Estou com uma num banheiro e a pressão da água está sendo insuficiente para a descarga completa. O encanador me disse que ela é muito fraca.

  5. Depois de trocar a válvula pela caixa acoplada, ta entupindo muitas vezes,e gasto mais água ainda e ficando esgotada de tanto usar produtos e contaminando a rede de esgoto, que faço?…

    • Prezado (a) leitor(a),
      Estarei de férias de 04 a 28 de junho e, infelizmente, não poderei responder as mensagens que chegarem neste período.
      Sugiro que procure o Procon para receber orientações adequadas. Na primeira página do Portal pode ser encontrada uma lista de Procons de todo o País. http://www.portaldoconsumidor.gov.br/procon.asp
      Até a volta.
      Um abraço,

      Bianca Reis

  6. Não vi os testes do INMETRO pois não estão disponíveis aqui. Contudo falta muiiiita coisa para considerarmos que TESTARAM os produtos.
    Acrescente-se ainda que nas Tabelas dos Testes publicadas acima há um erro fatal uma vez que dois quadro têm o mesmo titulo “caixa de descarga não acoplada”.
    Ora, uma delas deve ser “caixa de descarga acoplada”.

    • Prezado Rene,
      Você tem razão, cometi esse erro na hora de refazer a tabela.Obrigada.
      A imagem está corrigida. O texto é uma matéria baseada no relatório técnico, que está disponível no site do Instituto. Comentários e sugestões sobre a análise podem ser feitos por meio da ouvidoria do Inmetro (http://www.inmetro.gov.br ou 0800-2851818).
      Abçs
      Bianca Reis

  7. Existe outro tipo de descarga que não foi testada. A descarga embutida na parede, que é mais econômica do que a válvula de descarga e mais eficiente do que a caixa acoplada.

  8. Tudo lixo as caixas de descarga e a imprensa não se preocupa com o meio ambiente deveria pelo menos vender ou colocar reserva do quite de reparação nas caixas,estão nem aí com nada.

  9. Apos instalar uma caixa acoplada, por julgar mais pratica, mas imaginando eficiência idêntica à de parede, na descarga, só vejo reclamações diversas: descarga ineficiente, vazamento, … . Sem ter uma orientação sobre como resolver cada problema, vou para a quebradeira e implantar a descarga de parede. Mas o estranho de tudo, é não haver de parte do Immetro e outros segmentos, providências efetivas sobre o assunto, entre as quais, obrigando o fabricante respectivo proceder a correção devida, em tempo mínimo, ou bancar os custos relacionados ao novo sistema de descarga implantado pelo cliente, em substituição ao acoplado.

  10. Noto uma pomposidade na imprensa ao ocultar certos fatos. Essa quantidade mínima de água –seis litros — não serve para empurrar certas fezes, muito menos em se tratando de bacia com caixa acoplada que funciona por vazão em vez de pressão.
    O que deveriam fazer seria aumentar a quantidade de água, pois de nada adianta economizar na teoria, pra que o próprio consumidor, na prática, gaste até mesmo o triplo dessa quantidade. Sim, pois se o produto não faz o que se espera, a única forma é gastar mais água a fim de limpar.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s